A Lua cheia era uma bocarra vermelha,
arreganhada na face negra do céu. Cães uivavam desesperadamente, numa ladainha triste
que vinha de todos os lugares e penetrava o cérebro das duas jovens como broca de gelo - o gelo do pânico. Mariana esqueceu seus 14 anos de que tanto de orgulhava e começou a chorar como uma
menininha que acorda de um pesadelo e não encontra os pais. Por ser mais velha,
Valéria sentiu-se na obrigação de consolá-la, mas não soube como. Afinal, aquele pesadelo era real. Elas estavam na quadra de
esportes do colégio vazio e havia alguma coisa no meio das árvores, ao lado do campo de futebol. Alguma coisa maligna que parecia estar curtindo com a situação, à medida que o cheiro de medo as
artomentava. A qualquer momento a coisa atacaria e então seria o fim. Um rugido soou mais alto que os uivos dos cães. Os cabelos
da nuca de
Valéria se arrepiaram
doloridamente, ela assemelhou o estranho barulho com galhos quebrados, aquilo se aproximara. Tinham medo de olhar para trás.
Inesperadamente, tudo se silenciou. As batidas dos corações das duas se acalmaram, até que a mais na sentiu uma respiração muito próxima, a outra nem notara que a coisa estava tão perto. Mariana gelou, pensou em gritar, mas não
conseguia, foi quando sentiu uma mordida em seu pescoço, e o grito soou
extridente,
Valéria a acompanhou.
Após o susto, ouviram gargalhadas vindas da coisa, era um garoto do
cursinho do colégio. Ambas o fuzilaram com os olhos e soltaram palavrões. Quando ele parou de rir, explicou:
-Eu estava passando e ouvi a conversa de vocês, não resisti fazer isso!
-Maluco! -gritou Mariana - Você deveria estar na aula!
-Eu sei, -ele respondeu - mas nós precisamos conversar.
As irmãs se olharam,
Valéria tinha desconfiança no olhar, mas a
caçula confirmou com a cabeça.
-Está certo, -disse a mais velha - vou para casa. Mas não demore, já está tarde.
Direi ao papai que o ensaio de hoje demorou.
Ela se retirou. Os dois restantes se fitavam, ele de pé se retirou. Os dois restantes se fitavam, ele de pé e ela sentada. Mariana sentia um calor intenso quando estava próxima dele, lembrava-se dos sonhos em que se beijavam. Levantou-se lentamente, conforme a mão dele descia de seu rosto até a cintura, os olhos da garota brilhavam pela luz da lua cheia.
-Andou chorando? - ele questionou.
-Você sabe o que me fez - disse ela.
O garoto gostava dela, ele não fez aquilo por mal. Ela pensava nisso enquanto ele lembrava-se daquela tarde, quando ouviu ele comentando com um amigo o quanto ela era infantil.
-Eu não deveria ter feito aquilo, -
sussurrou ele - o melhor era ter feito isto.
Beijou-a, mas ela sentia algo penetrando em suas costas, sua vista escureceu, ele jogou-a no chão, tinha na mão um punhal ensanguentado.
-Mariana, -as palavras
saíram carinhosamente da boca dele - você é tão linda enquanto dorme.
O coração da menina parou de bater. O fim tinha chegado.
Quando abriu os olhos estava em sua cama, o coração batia forte saindo daquele pesadelo. Ele olhou para o
teto, tudo era
reprisado em sua retina.
-Mariana, -a voz do garoto saiu rouca - porque eu fiz isso contigo?
Ele não devia ter dito aquilo dela.
Este texto não foi feito especialmente para o blog, mas sim para a minha média bimestral em
redação. A proposta era continuar um trecho, que por acaso é a introdução, é intitulado como Lua Cheia de Sangue.
Este trabalho foi feito hoje, quando me dei conta ele se tornou genial, pois algumas passagens, se observadas com cuidado, tem relações com outras partes. Se não notaram, leiam com calma.
Querido(s)
leitor(es),
gotou(
ram) do novo
lay e novo título? Finalmente o fiz como queria!