
Eu achei um cinza que me mostrou as cores do mundo, como tranformá-las em melancolias. Alguém que o usava deixou sua essência nele e me ensinou traços. Deixei aquele puro grafite me consumir e me levar para o papel, e eu me deixei no papel. É apenas cinza, nem escuro nem claro. Mas se quero escuro consigo, claro também.
Encontrei minha vida num bastão de grafite que foi unitilizado a quase 15 anos. É tão divertido integragir com coisas que desde que nasci não a usam mais. Eu encontrei minha paxão numa câmera velha com a lente mofada, e pensar que aquelas mão que pouco me acariciaram mecheram tanto nela.
Um belo dia frio minha mãe me deu uma blusa de lã, ela era cinza. Tinha fios brancos também. Eu o vesti e consegui achar o calor de uma pessoa; como se meu pai tivesse deixado sua essência numa blusa de lã que minha mãe havia feito para, 15 anos depois de ter partido, ele me aquecesse.
É facil achar os sorrisos dele em desenhos, gravuras, projetos. É fácil achar a paixão dele em lembranças da minha mãe, em objetos ainda guardados; mas, principalmente, em mim. Talvez em minha irmã também.
Se preciso de consolo, eu encontro os Beatles em vinil. Se for necessário uma casa, eu ganho o lugar aonde construir. Se é o material que me falta, eu tenho uma herança.
Post adiantado em homenagem aos 15 anos sem meu pai, porque nunca é cedo ou tarde demais para lembrar dele.
15 anos é longe? Então eu agradeço a quem tenho certeza que pôs em meu caminho. Obrigada de coração quem me lembra ele e que me ensina coisas que ele não teve tempo.

